O projeto
O projeto
Uma parcela significativa da memória histórica de Minas Gerais permanece fora dos arquivos, museus e demais instituições de memória. Está dispersa em acervos familiares, arquivos pessoais, coleções particulares e conjuntos documentais — fotografias, cartas, jornais, cadernos, livros de registro, partituras, objetos e outros materiais — preservados ao longo de gerações por famílias, pesquisadores, colecionadores e instituições locais, muitas vezes sem qualquer suporte técnico ou acesso público. Neles podem sobreviver fontes ainda desconhecidas, capazes de lançar novas luzes sobre pessoas, lugares, instituições e acontecimentos da história regional.
Esses acervos podem reunir fontes primárias de pesquisa, registros iconográficos raros, documentação administrativa e religiosa, correspondências, arquivos pessoais e outros testemunhos de relevância histórica. Ou simplesmente histórias esquecidas no fundo de uma gaveta. Sobre esse patrimônio, contudo, pesa um risco silencioso: a degradação física, a ausência de organização e catalogação e, sobretudo, o desconhecimento de sua própria existência pelo Poder Público, pelas instituições de memória e pela pesquisa histórica.
O Cuidadores da Memória nasce desse reconhecimento e de um problema fundamental: não se preserva, nem se pesquisa, aquilo que não se sabe que existe.
Conhecer para preservar
O projeto adota como princípio metodológico uma máxima simples: conhecer para preservar. Antes de propor ações de conservação, formação ou difusão, é preciso identificar e mapear os acervos existentes, compreender sua natureza, conhecer suas condições e ouvir aqueles que os constituíram ou preservaram, que são os verdadeiros cuidadores da memória. Esse trabalho prévio, realizado cidade por cidade, acervo por acervo e sempre com a anuência de seus detentores, fornece a base empírica que orienta as etapas seguintes.
A escolha é deliberada: em lugar de partir de um programa concebido abstratamente, o projeto procura fazer com que as ações de preservação e formação respondam às características efetivamente encontradas no território. É esse diagnóstico que permite transformar uma iniciativa pontual em um processo de conhecimento, articulação e continuidade.
Uma história guardada por pessoas
Por trás de cada acervo há também um conhecimento que raramente está escrito. Quem o preserva pode ser a única pessoa capaz de identificar os personagens de uma fotografia, explicar a procedência de um documento, reconstruir a trajetória de uma coleção ou relacionar determinado objeto à história de uma família, instituição ou comunidade.
Por isso, o detentor não é tratado apenas como custodiante de bens ou fornecedor de informações, mas como sujeito fundamental para a compreensão do próprio acervo. Uma memória viva! Valorizar esse conhecimento, registrá-lo quando possível e favorecer sua transmissão entre gerações constitui parte essencial da proposta.
O que o projeto realiza
A partir do trabalho de campo, o Cuidadores da Memória identifica e registra acervos particulares da região, realiza diagnósticos participativos, promove formação em conservação preventiva e catalogação básica, aproxima detentores, pesquisadores, museólogos, arquivistas e instituições culturais e estimula a constituição de uma rede regional permanente de colaboração.
O levantamento produzido pretende ainda ampliar a visibilidade desses acervos e oferecer uma base de conhecimento útil à pesquisa histórica, às instituições de memória e, quando pertinente, à formulação de futuras políticas públicas de preservação.
O território
O projeto tem eixo em Barbacena e se estende pelo Campo das Vertentes e pela Zona da Mata mineira, reconhecendo um território cuja formação histórica antecede, em muito, as atuais divisões municipais. Caminhos, freguesias, famílias, instituições e circuitos de circulação constituíram ao longo do tempo uma trama regional que os acervos particulares ajudam a documentar.
Um projeto público e gratuito
O Cuidadores da Memória é realizado pelo Instituto Histórico e Geográfico da Borda do Campo e Cercanias, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura — PNAB, instituída pela Lei nº 14.399/2022.
O projeto foi selecionado, mediante análise de mérito cultural, no Edital de Chamamento Público nº 04/2026 — Execução Cultural, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, sob a inscrição nº 25026, para realização em 2026/2027. O edital integra a Política Nacional Aldir Blanc e prevê a seleção de projetos culturais para celebração de Termo de Execução Cultural.
Todas as atividades serão gratuitas. Os materiais produzidos para orientação e difusão serão disponibilizados livremente à sociedade.